Madrugada. 2:00 am. A rua esquecida pela rotina do dia revela todo o seu mistério. Apenas o vento dobrando uma esquina qualquer passeia entre os becos e avenidas. Passos apressados quebram a rotina da noite como se a melodia do vento aceitasse novas notas. O passos gritavam, e a cada minuto ficava mais leve. Era como se o dono dos passos procura-se se esquivar de qualquer olhar suspeito. (A verdade é que qualquer indivíduo numa madrudaga urbana é potencialmente estranho). Mas enfim, seus movimentos pareciam acompanhar as sombras, enquanto o balé frio dos seus passos procuravam um lugar mais seguro. Finalmente os passos diminuíram o ritmo. Posicionou-se em frente a uma casa, bem na esquina. O olhar assustado fitava a rua em todas as suas direçõees como se buscasse a certeza de que não havia sido visto. Parado em frente a casa, ele pôs-se a observar por certo tempo. (Atitude ainda mais suspeita num período em que todos deveriam estar na cama).
Mais um movimento brusco. Esquivou-se atrás de uma árvore e deitou-se no chão. (Por um instante achei que o suspeito tinha companhia, mas não …) Sua sombra misturava-se à noite e sua presença havia sido camuflada. Na verdade todo o susto se dava pela luz que vinha da janela da casa à sua frente, que derepente se acendeu. Sua presença não podia ser notada, por isso se jogou no chão de súbito. Todas as atitudes do suspeito evidenciavam sua intenção. Alguns minutos se passaram e ele continuava lá, no chão; mirando a janela com determinação. (Não via a hora do sujeito invadir a casa para cometer qualquer maldade).
- Porra!!! Gritei comigo mesmo. – Por que não paguei a conta do telefone? Agora aquele ladrão estúpido vai ficar impune, não posso nem ligar para a polícia. O que eu faço?
Nesse momento minha irritação, misturava-se ao nervosismo, impregnando o ar de um sentimento de impotência diasnte da situação.
- Meu Deus !!! E se ele matar alguém? Nessa horas é que a polícia deveria mostrar serviço. Mas não!! O distrito fica a apenas três quarteirões e um intruso desses ainda ousa tentar. Ou é muita ousadia ou chamaria de estupidez. – Em meio ao nervosismo ainda encontrei um tempo pra filosofar …
Pensei comigo mesmo:
- O que eu poderia fazer? Correr até a delegacia para que prendessem o ladrão em falagrante, ou ficar em casa reendo os dedos esperando o proximo passo do suspeito?
A verdade é que qualquer umas das situação era desesperadora, não sabia que tipo de indivíduo era aquele: um assassino, um ladrão qualquer, um sequestrador. Não sabia se estava sozinho ou se tinha comparsas. A ansiedade tomava conta do corpo e a impotência diante da situação aumentava.
- S-o-c-o-r-r-o !!!! O grito abafado pelas minhas mãos apertando minha boca não pode ser ouvido, mas o alívio que aquelas palavras me deram foi confortante.
Voltei à minha janela e me pus novamente a observar. Coisa que aquele suspeito ainda fazia: apenas observava. A luz que vazava pela janela novamente extinguira-se. Finalmente o suspeito pôs-se de pé novamente, com a mão no bolso da calça parecia procurar alguma coisa. Eu cá na janela tentei gritar mais uma vez socorro, mas sabia que isso poderia ser arriscado. Portanto, voltei a observar.
Agora o suspeito escalava o muro como se tivesse praticado outras vezes. No topo do muro deu mais uma olhada. – … que safado! – pensei comigo . O olhar parou por impulso e durecionou-se para minha janela na outra esquina.
Cai no chão me tremedno, aquele olhar parece que me acertou. Tive a certeza, naquele instante, que ele me viu. Sentei com as mãos nos joelhos, abraçando-os, desapareci mais uma vez da janela. Menos de três minutos voltei a ela. Apenas a altura dos olhos estavam ali. Sumi por alguninstantes novamente. O medo, os batimentos do coração, tornavam a situação mais angustiante. Voltei. Finalmente me pus a obervar outra vez. Ele não se encontrava mais no mesmo lugar. S-u-m-i-u !! O coração piulsava ainda mais.
- Onde ele foi? Desistiu? … – imaginei que sim.
Logo a penumbra da noite mostrava novamente o intruso. Não podia ser visto, pois já estava do outro lado do muro terminando de escalar. Mas ao penetrar na grama sua presença foi anunciada.O suspeito correu imediatamente para a janela da qual os rastros de luz haviam sido lançados. Parecia que o ladrão conhecia bem o local. Não demonstrou preocupação alguma se havia a presença de cachorros, ou qualquer tecnologia de segurança. Apenas observava, parou novamente e assim ficou por um bom tempo. De repente, alguns assovios podiam ser ouvidos.Era como se chamasse os comparsas do crime.
- Era o sinal. Eu sabia que ele não estava sozinho. É um sequestro, é um sequestro … Corri de um lado ao outro da minha casa com a mão na cabeça, balançando o corpo, como se fosse ter um enfarte.
Quase !!! Não enfartei, mas imediatamente me controlei e decidi. – Vou fazer alguma coisa !! Não poço ficar aqui.
A janela a que o suspeito se dirigiu é dá acesso ao quarto da Patrícia. A única filha do casal que mora naquela casa. Nesse momento o sequestro parecia inevitável.
Eu apenas observei. Mas agora ele resolvi agir. Desci as escadas da minha casa e dirigi-me ao portão. Abri imediatamente o cadeado e sai para a rua. O nervosismo era maior que meu ato de coragem, mas o coração parecia que ainda aguentava mais ação. Corri imediatamente para a rua como se me pusesse a enfrentar todos os comparsas do suispeito.
A rua vazia me deixou de certa forma aliviado, mas não entendi aqueles assovios. Agora como se meu coração ainda estivesse na flor da idade resolvi escalar o muro. A dificuldado era notória, mas enfim, eu era teimoso. Com as mãos chegando ao topo do muro uma pedra solta me presenteou com um tombo no chão. Minha cara de ódio era compreensível: meu jeito de herói atrapalhado não me desestimulou.
- Se aquele idiota pensa que é mais esperto que eu, ele que me aguarde. Foi só uma quedinha à toa. (As massagenas na bunda contradiziam minha réplica, mas enfim … Subi o muro. Finalmente! Para não dizer que imbecil comigo mesmo, afinal depois de 40 min. Mas já desci gritando – Cadê ele? Se escondeu? Fugiu? Aquele fracote não me esperou. Droga !!! Aquele muro idiota.
Dei a volta na casa procurando o suspéito. Aquele ato de coragem nunca mais se repetiria. Meu jeitão de macho zangado, ao invés do medroso de outrora, parecia que tinha me suspreendido. Dei mais uma volta na casa e nada.
- Patrícia?!! Meus Deus !! Será que ele a levou? – Olhou rapidamnente pela janela, e o desespero tomou conta da situação. - Ela morreu!! S-o-c-o-r-ro !!! Mataram Patrícia! – Seus olhos em desepero rompiam a nobreza da noite.
- Socorro !!! Polícia, Ladrão, Sequestrador, Bandido…. Alguem ajude !!!
“A pequena poça de sangue em cima da cama de Patrícia confirmava as suposições do Vizinho metido a herói. De repente a cena se modificava outra vez. Patrícia surge do nada, na verdade não exatamente do nada; mas do meio do mato, confirmando o seqüestro, já que surgiu ao lado do sequestrador. De imediato o vizinho desajeitado parte pra cima do sequestrador. A briga na grama chama a atenção da vizinhança. Uma por uma as luzes das janelas ao redor acenderam. Logo depois, a polícia chegou.
- Pode levar seu Polícia é esse aí o sequestrador. Ele tendou matar Patrícia, deve ter dado umas pancadas nela. O sangue, a prova do crime, está na cama de patrícia. Podem ir lá. Eu vi tudo …
O vizinho olhou para toda a vizinhança com ar de herói e encheu o peito.
Patríciacom a cara do tamanho do mundo, olhava diretamente para o herói. Olhava com um ar de desaprovação. E ao mesmo tempo com uma vergonha maior ainda.
A situação era totalmente outra. O sequestrador na verdade não era sequestrador. Era o namorado de patrícia. O vizinho entendeu tudo errado. Aquela noite era pra ser a primeira noite de Patrícia com seu namorado. Mas parece que acabou sendo a primeira noite dela com a vizinhança inteira.
O sangue nos lençóis confirmava o ato. Os 40 min de atraso do vizinho no muro foram suficiente, mesmo assim resolveram fazer amor ao ar livre. Momento no qual o vizinho estérico começou a gritar ao mundo a morte de Patrícia. Realmente ela naquele momento ela preferia ter morrido. Aquela situação constrangedora foi horrível.
E para explicar? – coitada da Patrícia.