A guerra

Publicado: março 6, 2008 em História, Livros

A História da humanidade construiu-se sobre guerras, batalhas, cadáveres, homens no seu sentido mais concreto. Uma história que avança em termos científicos e tecnológicos, mas que indiscutivelmente regride em aspectos humanos. O filme “Prelúdio de uma Guerra” revive a atmosfera catastrófica da História, precisamente 1935-45, época cujo futuro já não se oferecia como algo certo. Era o período da Segunda Guerra Mundial, da ascensão de Hitler e de sua ameaça para o mundo. A humanidade mal respirava o fim de uma guerra – a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) – e outra guerra já começava a esboçar suas trincheiras. Para a humanidade, mais precisamente aquelas diretamente envolvidas no massacre, pensar outra guerra em proporções mundiais era reviver o sofrimento de um tempo que ainda cicatrizava suas dores. O autor Eric Hobsbawn, no livro “Era dos Extremos”, faz emergir uma série de discussões que abrangem, ou mesmo tentam abranger o “breve século XX”. Dada a dificuldade de falar de uma época na qual fez parte Hobsbawn alerta: “não é possível escrever a história do século XX como a de qualquer outra época (…) tenho tido consciência dos assuntos públicos, ou seja, acumulei opiniões e preconceitos sobre a época, mais que contemporâneo que como estudioso”. Enfim, “Prelúdio de uma Guerra” não pode ser entendido sem as transformações políticas, econômicas, e até mesmo humanas pelas quais o mundo sofrera. Tais transformações, citadas por hobsbawn, destacam-se 1) o fim do eurocentrismo, o mundo já não poderia ser analisado em função exclusiva da Europa; 2) o globo transformou-se numa unidade operacional única, uma espécie de aldeia global; 3) uma ruptura abrupta de valores do passado e do presente, ou seja, desintegração dos valores humanos.

“Prelúdio de uma Guerra” representa a ascensão de um movimento com força não apenas política, mas ideológica centrada na figura de Hitler e do Fascismo. Mas é impressionante também perceber como uma possível “união” entre capitalismo e socialismo – e nas palavras de Hobsbawn “bizarra” – foi fundamental para a manutenção da democracia. E mais, só mesmo sob a ameaça de uma ideologia tão poderosa, e não falo do fascismo, mas sim do comunismo, é que a manutenção da democracia, ou até mesmo do próprio capitalismo, tornou-se possível. O medo tornou-se o incentivo fundamental à manutenção do capitalismo.

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